A Reserva

A questão de preservação do meio ambiente, nos últimos anos, ganhou caráter de prioridade tanto do ponto de vista econômico quanto para a própria manutenção da vida no planeta, existindo assim uma enorme preocupação no que diz respeito à preservação da biodiversidade, sendo que o principal desafio a ser superado é o de se encontrar uma relação sustentável entre o desenvolvimento econômico e a conservação do meio ambiente.

 

Reserva do Caraguatá

Fotos da Reserva do Caraguatá

Atualmente estudos mostram a RPPN de Caraguatá como destaque de restauração ambiental depois de alguns anos de proteção efetiva, o puma por exemplo, que havia desaparecido do local e provavelmente do município voltou a habitar a reserva .( BREDA ET AL.,2003; CUNHA,COM.PES.). Este felino é um importante indicador ambiental, sendo indicador de conectividade e produtividade, pois precisa de grande demanda de território e alimento,  um puma adulto precisa de 10km² de área para sobreviver, uma população ativa deve ocupar uma área bem maior, é também indicador de produtividade do ambiente, porque um adulto consome diariamente de 3 a4 kg de carne, o que representa de 1080 a1440 kg de carne por ano, quantia que o ambiente habitado por pumas precisa necessariamente produzir, em forma de espécies-presa, para manter os indivíduos.( MAZZOLLI, M., 2005).

 Localizada entre os Municípios de Antônio Carlos, São João Batista, Biguaçu, Major Gercino e Angelina, envolvendo as Serras do Major, Macaco Branco e Boa Vista. entre altitudes de 420 a 903 m. A importância da RPPN do CARAGUATÁ reside no fato de sua inserção geomorfológica demarcar o limite de duas amplas bacias hidrográficas, constituindo-se num importante divisor de águas e fontes mananciais: uma parte da drenagem de rede hidrográfica é direcionada para a bacia do rio Tijucas (municípios de São João Batista, Major Gercino e Angelina), enquanto outra se direciona para a bacia do rio Biguaçu (municípios de Antônio Carlos e Biguaçu), representada principalmente pelos rios Rachadel e Farias, mas nascem dentro da Reserva vários rios de relevante importância para as comunidades vizinhas, como o Arataca, Fernandes, Amâncio, Inferninho e outros menores. Muitos destes já são utilizados para o abastecimento normal e para processos de irrigação nestas cidades.

Rio Farias

 A vegetação local é a Floresta Ombrófila Densa da Encosta Atlântica com formações Montana e Alto-Montana.  Na área situa-se um dos poucos relictos de Araucária angustifolia (Pinheiro brasileiro) que ocorriam esparsos dentro da Floresta Ombrófila Densa. A propriedade abriga inúmeras espécies da fauna e flora tais como Bugios (Alouatta fusca) Quatis (Nasua nasua), Macacos prego(Cebus apella), Jaguatiricas(Leopardos pardalis), e aves como Papagaios (Amazona vináceas), jacus(Penelope superciliaris), Macucos (Tinamus solitarius), Tucano de bico verde (Ramphastus dicolorus), Jacus (Penelope superciliaris), Aracuãs(Ortalis gutata), , e da flora os exemplos são o Palmito (Euterpe edulis), Pinheiro brasileiro  (Araucária angustifolia), Canela Preta (Ocotea catharinensis), Xaxim (Dicksonia sellowiana), Orquidáceas e Bromeliáceas.

A RPPN do Caraguatá inclui toda a Serra do Macaco Branco que de acordo com o Botânico Dr. Roberto Klein é o local onde a araucária (“araucária angustifolia”) cresce mais perto do litoral brasileiro.

O fato de representar um grande fragmento de floresta em estado primário, representa um grande potencial para a proteção da Flora e Fauna e ao mesmo tempo um importante núcleo para a futura recuperação das áreas vizinhas, o que é objeto de amplo interesse pela comunidade cientifica.

A pesquisa científica tem sido praticada por acadêmicos, pesquisadores e cientistas e  visa buscar o aprofundamento do conhecimento físico e biológico da área, assim como, possibilitar a utilização correta e alternativa dos recursos naturais.

             A área já foi objeto de inúmeros projetos de pesquisas, coleta de dados e amostras de espécimes, estudos sobre o comportamento da fauna, estudos sobre a população do entorno e  sobre a qualidade e utilização da agua no entorno. Dentre os mais relevantes destacam-se o projeto de Registro de fauna através de armadilhas fotográficas e comparação com uma área de preservação pública (patrocinado pela ONG Conservação Internacional) e o Levantamento das condições sócio econômicas do entorno da RPPN e a importância de seus recursos hídricos para as comunidades locais (patrocinado pelo Banco do Estado de Santa Catarina).

 Os resultados estão expressos em Trabalhos de Conclusão de Cursos de graduação, Relatórios de Campos, Teses e Dissertações, Congressos, Trabalhos e publicações em revistas nacionais e internacionais e em cartilhas e livros (As onças da minha família – Mauricio E. Graipel).